Jovem iraniano condenado à morte tem apenas 10 minutos para se despedir da família
Erfan Soltani Um novo relato angustiante revela que um jovem iraniano,
condenado à morte por participar de protestos contra o regime, teria recebido
apenas dez minutos para se despedir de seus familiares antes da execução,
prevista para esta quarta-feira.
O caso de Erfan Soltani, de 26 anos, evidencia a severidade
da repressão do governo iraniano diante das manifestações populares que tomaram
conta do país nos últimos meses.
Soltani foi detido durante um protesto ocorrido em 8 de
janeiro. Segundo informações do portal IranWire, agentes de segurança
permitiram que a família o visse rapidamente, alertando que aquele seria o
último encontro antes da execução.
O jovem, que trabalhava na indústria têxtil, não teve acesso
a um advogado nem a um julgamento justo, conforme denuncia a ONG Iran Human
Rights. Até mesmo um parente próximo, que atua como advogado, tentou assumir
sua defesa, mas foi impedido e ameaçado pelas autoridades.
“Disseram claramente: ‘Não há processo para analisar.
Qualquer pessoa presa nos protestos será executada’”, relatou uma fonte próxima
à família ao IranWire. Além disso, os parentes de Soltani teriam sido ameaçados
de prisão caso buscassem apoio da mídia ou falassem publicamente sobre o caso.
O manifestante enfrenta a acusação de “fazer guerra contra
Deus”, crime que pode ser punido com a pena capital no Irã, segundo o jornal
americano The Sun.
Detalhes sobre a ordem de execução ainda não foram
confirmados de forma independente, devido ao bloqueio de comunicações imposto
pelo governo iraniano.
Soltani estava entre os milhares de cidadãos que, na última
quinta-feira, marcharam pelas ruas de Karaj para protestar contra o regime e a
crise econômica que assola o país. Desde o final de dezembro, mais de 10 mil
manifestantes foram presos em todas as 31 províncias iranianas, de acordo com
grupos de direitos humanos.
A repressão aos protestos tem sido marcada por extrema
violência. Estimativas da Human Rights Activists News Agency, sediada nos
Estados Unidos, apontam que o número de mortos chegou a 2 mil pessoas. O
governo iraniano, por sua vez, não divulga dados oficiais sobre as vítimas.
A situação chamou a atenção da comunidade internacional. O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incentivou os iranianos a
continuarem protestando e prometeu apoio aos manifestantes, em mais uma
demonstração de tensão entre Washington e Teerã.
O caso de Erfan Soltani simboliza a dura resposta do regime
iraniano diante da insatisfação popular e levanta preocupações sobre o respeito
aos direitos humanos no país. Organizações internacionais seguem monitorando a
situação, enquanto familiares e ativistas buscam alternativas para evitar mais
execuções e garantir justiça aos detidos.
Thiago Guerreiro – Conectv Atlanta




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