A queda de “El Mencho” : a operação, as vítimas e a cooperação internacional
A ação que resultou na morte de El Mencho envolveu forças
especiais do Exército mexicano e, segundo informações oficiais, contou com
apoio de inteligência fornecido pelos Estados Unidos. A Embaixada americana no
México afirmou que a operação foi conduzida dentro dos acordos de cooperação
bilateral entre os dois países.
Durante o confronto em Tapalpa, ao menos quatro pessoas
morreram no local. Outras três, incluindo o próprio líder do CJNG, ficaram
feridas e não resistiram. Duas pessoas foram presas, e as forças armadas
apreenderam um arsenal que incluía veículos blindados, lançadores de foguetes e
armas de alto calibre. Três militares também ficaram feridos e receberam
atendimento médico.
Além das mortes registradas no local da operação, a reação em
cadeia provocou novos episódios de violência. Um agente da Guarda Nacional
morreu em Tapalpa, enquanto outros seis perderam a vida em Zapopan, na região
metropolitana de Guadalajara. Um guarda penitenciário foi assassinado durante
uma rebelião em um presídio de Puerto Vallarta, e um funcionário do Ministério
Público estadual morreu na capital do estado.
Analistas apontam que a ofensiva reflete uma mudança de
postura do governo mexicano. Desde que a presidente Claudia Sheinbaum assumiu o
cargo, o Exército tem adotado uma abordagem mais direta e combativa contra
organizações criminosas, em contraste com estratégias anteriores mais focadas
em contenção social.
Especialistas avaliam que essa postura também busca responder
à pressão política dos Estados Unidos, que exigem resultados mais concretos no
combate ao tráfico de drogas, especialmente ao fentanil, substância responsável
por milhares de mortes por overdose em território americano.
Em fevereiro, o governo dos EUA classificou o CJNG como organização
terrorista estrangeira e já oferecia uma recompensa de até 15 milhões de
dólares por informações que levassem à captura de El Mencho. A operação
bem-sucedida, portanto, foi vista como um trunfo diplomático para o México.
Ainda assim, a presidente pediu calma à população e elogiou
publicamente as forças de segurança, ressaltando que o governo trabalha para
restabelecer a normalidade e evitar que a violência se espalhe ainda mais.
Thiago Guerreiro – Conectv Atlanta




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