Instituto de pesquisa dos EUA promete tentar ajudar Lito Sousa, enquanto piloto brasileiro presta homenagem no céu do Texas
O caso do influenciador e ex-mecânico de aviação Lito Sousa,
diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), ganhou dois novos
capítulos nesta semana: um centro de pesquisa americano se manifestou
publicamente sobre o pedido de ajuda da família, e um piloto brasileiro rendeu
uma homenagem inusitada ao criador do canal "Aviões e Músicas",
desenhando seu nome no céu dos Estados Unidos.
Nesta terça-feira (25), o Broad Institute, centro de
pesquisa de Cambridge, em Massachusetts, mantido em parceria entre o MIT, a
Universidade Harvard, hospitais ligados à instituição e empresas como Bayer e
Novo Nordisk, confirmou, em publicação nas redes sociais, que está conversando
com a equipe de Lito para analisar as possibilidades de tratamento. A
organização, sem fins lucrativos e dedicada a pesquisas sobre doenças raras,
agradeceu a mobilização de apoiadores e afirmou estar empenhada em avançar nas
pesquisas sobre doenças priônicas, embora reconheça que os estudos, incluindo
os ensaios clínicos, ainda estejam em fase inicial. O instituto foi direto ao
ponderar que não há garantia de que conseguirá ajudar o brasileiro, mas
assegurou que fará todo o possível.
Horas antes, a esposa de Lito, Mila Seidl, já havia relatado
que a família ainda não conseguiu uma vaga em protocolos experimentais. Segundo
ela, o Broad Institute sinalizou a possibilidade de Lito participar apenas da
fase de triagem para o grupo de controle, o que significaria não receber
necessariamente a substância em teste e exigiria disponibilidade para se mudar
sem certeza de acesso ao medicamento. Mila também informou que a Ionis
Pharmaceuticals, responsável pelo composto experimental ION717, apontado pela
família como a principal aposta de tratamento, comunicou que o estudo está com
inscrições encerradas e que não pode autorizar uso compassivo do remédio. Ela
lamentou ainda a ausência de contato por parte do Itamaraty, do governo federal
ou do Ministério da Saúde sobre o caso.
Enquanto a busca por tratamento avança, Lito recebeu uma
manifestação de carinho vinda dos ares. Na noite de segunda-feira (24), o
piloto brasileiro Enderson Rafael sobrevoou uma região próxima a Dallas, no
Texas, a bordo de um Cessna 150M, e traçou o nome "Lito" no céu em um
voo que durou pouco mais de três horas. Segundo Rafael, o desenho resultante
ficou maior do que a cidade de São Paulo, com cerca de 80 quilômetros de
comprimento e 30 de altura. O trajeto chamou tanta atenção que chegou a figurar
entre os voos mais rastreados do mundo na plataforma FlightRadar24. Nas redes
sociais, o piloto descreveu o gesto como uma forma de celebrar um amigo e uma
referência para a comunidade da aviação, recordando voos virtuais que fizeram
juntos anos atrás em um simulador de voo.
Lito Sousa, de 59 anos, é reconhecido por seu conteúdo sobre
aviação e por participações em podcasts e programas de televisão, além de
comandar o canal "Aviões e Músicas", que reúne mais de 2,6 milhões de
seguidores no Instagram. Ele está internado no Hospital Albert Einstein, em São
Paulo, após ser diagnosticado com DCJ, doença neurodegenerativa rara ligada ao
acúmulo de príons, proteínas que comprometem o funcionamento cerebral e
provocam perdas motoras, cognitivas e de memória. No último domingo (23), o
influenciador fez sua primeira aparição pública desde o anúncio do diagnóstico,
pedindo, em vídeo, para ser incluído em estudos experimentais capazes de conter
o avanço da doença.




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