Juíza Federal anula suspensão de emissão de vistos para 75 países


Juíza Federal anula suspensão de emissão de vistos para 75 países

Uma juíza federal em Nova York anulou, na última sexta-feira
(21), a política do governo Trump que suspendia a emissão de vistos de
imigrante para cidadãos de 75 países, cerca de 40% das nações do mundo.

A juíza Jeannette Vargas, do Distrito Sul de Nova York,
indicada por Biden, classificou a medida como "contrária à lei" e
fora da autoridade legal do secretário de Estado Marco Rubio. Em uma decisão de
61 páginas, ela foi além de uma análise técnica estrita e definiu a política
como abertamente ilegal.

Implementada em janeiro, a suspensão atingia a emissão de
vistos de residência permanente para pessoas de países como Brasil, Colômbia,
Egito, Haiti, Somália e Rússia, entre outros, incluindo diversas nações
africanas, além de Afeganistão, Irã, Iraque, Nigéria, Tailândia e Iêmen. O
governo alegava que o objetivo era evitar a entrada de imigrantes propensos a
depender de assistência social nos Estados Unidos. Vistos de turismo e de estudante
não foram afetados.

Segundo a lei americana, um imigrante só pode ser recusado
por risco de se tornar dependente do Estado depois que um funcionário consular
avalia individualmente fatores como renda, idade, saúde, qualificações
profissionais e situação familiar. A juíza constatou que, na prática, os
agentes consulares foram orientados a negar vistos automaticamente com base
apenas na nacionalidade do requerente, mesmo quando a pessoa comprovadamente
teria condições de se sustentar sozinha nos Estados Unidos.

O governo tentou se apoiar no precedente da Suprema Corte de
2018 que validou o banimento de viagens de Trump (caso Trump v. Hawaii), mas
Vargas considerou o argumento inaplicável, já que aquele caso tratava da
entrada no país, enquanto a política atual dizia respeito à emissão dos
próprios vistos.

A ação foi movida pela Catholic Legal Immigration Network
(CLINIC) e pela African Communities Together, além de requerentes individuais e
cidadãos americanos que buscavam trazer familiares. Organizações de defesa dos
imigrantes celebraram o resultado como uma vitória para o direito à
reunificação familiar.















O Departamento de Estado, por meio de nota, afirmou apenas
que o governo está "protegendo o povo americano ao manter os mais altos
padrões de triagem e verificação de candidatos a visto" e que não
comentaria litígios em andamento. A administração pode recorrer da decisão.




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