Consórcio bate recorde e se firma como estratégia de planejamento financeiro no país
O consórcio deixou de ser visto apenas como uma alternativa
secundária para quem queria trocar de carro. A modalidade vive um momento de
expansão no Brasil e já é utilizada por um público cada vez mais diverso,
interessado em organizar as finanças e adquirir bens sem pagar juros.
Segundo dados do setor, o Sistema de Consórcios alcançou em
2026 a marca histórica de mais de 13 milhões de participantes ativos, o maior
número já registrado. Os veículos leves ainda concentram a maior fatia dos
consorciados, cerca de 5 milhões, o equivalente a mais de 40% do total, mas é o
segmento imobiliário que vem chamando atenção pelo ritmo de expansão.
Levantamento da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC)
revela que, entre janeiro e abril deste ano, foram vendidas 557 mil cotas
voltadas à compra de imóveis, número que superou as vendas registradas no
segmento de motos no mesmo intervalo.
Para Rodrigo Dantas, CEO da Facility, esses números refletem
uma transformação na forma como o brasileiro enxerga o consórcio. Segundo ele,
a ferramenta passou a ser adotada por quem planeja projetos de médio e longo
prazo, como a compra da casa própria ou uma reforma, e não apenas por quem
busca um veículo novo. Rodrigo destaca que aderir ao consórcio exige disciplina
e um objetivo bem definido.
Os números do primeiro semestre reforçam essa tendência.
Entre janeiro e maio, o setor somou 2,36 milhões de novas adesões, um avanço de
14% sobre o mesmo período de 2025. Somente as cotas de veículos leves
movimentaram mais de R$ 61 bilhões em créditos comercializados.
Juros altos impulsionam a busca pela modalidade
Um dos principais motores desse crescimento é o custo
elevado do crédito convencional. Ao longo de 2026, a taxa Selic, referência
para financiamentos e empréstimos, seguiu em níveis altos, mesmo com os cortes
promovidos pelo Banco Central.
Ao contrário de um financiamento tradicional, o consórcio
não cobra juros sobre a carta de crédito. Isso não significa, porém, que a
adesão seja isenta de custos: o participante arca com a taxa de administração e
pode ter despesas adicionais previstas em contrato, como seguro e fundo de
reserva.
Rodrigo alerta que um erro comum entre os consumidores é
avaliar apenas o valor da parcela mensal. Segundo ele, é fundamental considerar
o custo total da operação, a duração do grupo, o percentual da taxa
administrativa e as regras para dar lances, já que uma parcela que cabe no
orçamento hoje precisa continuar cabendo até o fim do contrato.
Contemplação não é imediata
Um ponto que gera confusão entre os consumidores é achar que
contratar uma cota garante acesso rápido ao crédito. Na prática, a contemplação
depende de sorteio ou lance, seguindo as regras específicas de cada grupo.
Por esse motivo, o consórcio costuma funcionar melhor para
quem tem flexibilidade de prazo e não precisa do bem em uma data certa. Rodrigo
reforça que a modalidade não deve ser confundida com financiamento e que não
existe garantia de contemplação rápida, quem tem pressa deve buscar outras
opções de crédito. Ele também recomenda checar se a administradora tem
autorização do Banco Central e desconfiar de ofertas que prometam contemplação
certa ou condições fora do padrão de mercado.
Setor imobiliário puxa a expansão
O consórcio de imóveis vem sendo um dos grandes destaques do
setor. Em 2025, essa modalidade movimentou cerca de R$ 283,53 bilhões em
créditos, um salto de 48,4% na comparação com 2024. Para 2026, a ABAC projeta
um crescimento de até 25% nas vendas de cotas imobiliárias.
Além da compra de casas e imóveis comerciais, as cartas de
crédito imobiliário também podem financiar a aquisição de terrenos, obras,
reformas e até a quitação de financiamentos já existentes, conforme as
condições de cada contrato. A modalidade também tem atraído quem já tem um
imóvel e busca expandir seu patrimônio, seja para comprar uma segunda
propriedade ou diversificar investimentos.
Para Rodrigo, esse movimento mostra que os brasileiros estão
ampliando o uso do consórcio, mas isso exige mais atenção à orientação do
consumidor. Quanto mais o mercado cresce, mais importante é garantir que as
pessoas entendam as regras, avaliem sua capacidade financeira e escolham um
plano compatível com seus objetivos.
Mais do que buscar a parcela mais barata,
especialistas recomendam observar prazo, meta final e previsibilidade
financeira antes de fechar contrato. O consórcio pode ser um caminho eficiente
para transformar planejamento em patrimônio.
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Tel.: (11)99255-7309
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