Mais de 500 milhões de cristãos enfrentam restrições para acessar a Bíblia, aponta relatório
Segunda edição da "Bible Access
List" avaliou 106 países e mostra que maior disponibilidade da Escritura
não significa acesso garantido.
Mais de 500 milhões de cristãos em todo
o mundo enfrentam algum tipo de restrição para ter acesso à Bíblia, mesmo em um
período de maior disponibilidade do texto sagrado. É o que revela a segunda
edição da Bible Access List, relatório divulgado em 1º de outubro pela Bible
Access Initiative, coalizão de ministérios dedicada à acessibilidade das
Escrituras.
O estudo avaliou 106 países, ante 88 na
primeira edição, em 2025. A nova versão ampliou a cobertura, refinou a
metodologia e contou com validação de especialistas locais. Do total, 87 países
entraram na Lista de Restrições Bíblicas e 81 na Lista de Escassez Bíblica.
"Muitas vezes ouvimos que a Bíblia
está mais acessível do que nunca, mas não devemos confundir disponibilidade com
acesso", afirmou
Wybo Nicolai, cofundador da iniciativa. Segundo ele, restrições ligadas à
perseguição tornam o acesso difícil ou perigoso, enquanto barreiras
socioeconômicas colocam o livro fora do alcance de muitos. Mesmo onde há
versões digitais, a cobertura limitada de internet ou ambientes online
inseguros podem impedir a leitura.
Duas listas, dois problemas
A Lista de Restrições combina fatores de
perseguição, como limitações legais, hostilidade social e ação de grupos
extremistas, com obstáculos socioeconômicos, entre eles pobreza, infraestrutura
precária, falta de energia elétrica, baixa alfabetização e acesso limitado à
internet. Já a Lista de Escassez estima quantos cristãos desejam ter uma
Bíblia, mas ainda não possuem uma.
No ranking de restrições, o Afeganistão
lidera, subindo da terceira posição em 2025. Em seguida vêm Iêmen (sem
alteração), Somália (que ocupava o primeiro lugar no ano passado), Coreia do
Norte (que subiu do sexto posto) e Eritreia (sem alteração).
Na lista de escassez, os cinco primeiros
são República Democrática do Congo, Etiópia, Nigéria e Índia, todos com mais de
10 milhões de pessoas sem Bíblia, e Uganda, com faixa de 5 a 10 milhões.
Três conclusões principais
- Perseguição:
mais de 500 milhões de cristãos sofrem restrições por controles
governamentais, violência extremista e pressão familiar e comunitária.
Para mais de 250 milhões, o acesso é considerado muito difícil;
- Barreiras
socioeconômicas: mais de 550 milhões de cristãos em 33 países enfrentam
obstáculos severos. Nesses locais, cerca de 82 milhões não têm uma Bíblia;
- Limites
do digital: mais de 400 milhões de cristãos em 42 países vivem sem
internet, e 277 milhões, em 48 países, vivem onde acessar as Escrituras
online é inseguro ou restrito.
Para Ken Bitgood, fundador e CEO da
Digital Bible Society e cofundador da lista, o levantamento é "mais do que
um retrato do problema", funcionando como um "roteiro" para
indicar onde é necessária ação estratégica.
A Bible Access
Initiative é liderada por cinco organizações: Bible League International,
Digital Bible Society, Frontlines International, The Voice of the Martyrs e
YouVersion. O objetivo é oferecer a agências bíblicas, organizações
missionárias e igrejas um panorama confiável para planejar ações. Dados, perfis
de países e mapas estão disponíveis em bibleaccesslist.org.




COMENTÁRIOS