Rubio diz que Lula "colocou o ego à frente" e culpa presidente pelo novo tarifaço dos EUA
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio,
declarou nesta quinta-feira (16) que a tarifa de 25% imposta pelos Estados
Unidos sobre produtos brasileiros funciona como uma espécie de cobrança
política pela postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas
negociações comerciais entre os dois países.
Em publicação nas redes sociais, o chefe da diplomacia
americana afirmou que Lula "colocou seu próprio ego à frente de fazer um
acordo pelo bem-estar do povo brasileiro", atribuindo ao presidente
brasileiro a responsabilidade pela sobretaxa. Segundo Rubio, o presidente
Donald Trump instruiu o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) a
aplicar a tarifa porque o governo brasileiro "não negociou com os EUA de
boa-fé", e classificou as políticas econômicas do Planalto como prejudiciais
tanto para americanos quanto para brasileiros.
A sobretaxa de 25% sobre a maioria das importações
brasileiras foi confirmada oficialmente pelo USTR na noite de quarta-feira (15)
e passa a valer a partir de 22 de julho, com exceções para produtos como carne
bovina e suco de laranja.
Em resposta, o governo brasileiro classificou a medida como
um "marco lastimável" nas relações bilaterais e anunciou que vai
acionar a chamada Lei da Reciprocidade. O Planalto reforçou que não reconhece a
legitimidade de investigações sem respaldo nas regras multilaterais de
comércio, mas destacou que o país nunca abandonou a mesa de negociação na
defesa de seus interesses.
Apesar da acusação de má-fé, as tratativas entre os dois
governos foram intensas nos meses que antecederam o anúncio. Em maio, Lula e
Trump se reuniram por cerca de três horas na Casa Branca, em encontro que
discutiu comércio, tarifas, minerais críticos e cooperação internacional. O
USTR também promoveu, em 6 e 7 de julho, uma audiência pública sobre a proposta
de tarifa antes da decisão final, mas, segundo o Poder360, o governo brasileiro
optou por não enviar representantes para se manifestar, e apenas integrantes da
embaixada brasileira em Washington acompanharam o processo como observadores.
Entre os pontos citados na investigação americana está a
política brasileira de incentivo ao Pix, que, na avaliação do USTR, colocaria
empresas de pagamento eletrônico dos Estados Unidos em desvantagem injusta no
mercado brasileiro.




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