EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
Os Estados Unidos oficializaram, na noite de quarta-feira (15), uma nova tarifa de 25% sobre boa parte das importações vindas do Brasil.
Os Estados Unidos oficializaram, na noite de quarta-feira
(15), uma nova tarifa de 25% sobre boa parte das importações vindas do Brasil. O
anúncio foi feito pelo representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson
Greer, que afirmou que a medida, determinada pelo presidente Trump com base na
Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, encerra uma investigação de um ano que
concluiu que políticas brasileiras restringem injustamente o comércio
norte-americano.
A tarifa de 25% entra em vigor em 22 de julho e valerá para a
maior parte dos produtos brasileiros, com exceções para itens como carne
bovina, suco de laranja, aeronaves e peças, além de produtos energéticos. O
caso brasileiro é simbólico porque o país passa a ser o primeiro alvo da nova
estratégia tarifária de Trump apoiada na Seção 301, dispositivo que autoriza
investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais.
O processo que resultou na tarifa começou em 15 de julho de
2025 quando o governo americano anunciou, na época, uma tarifa de 50% sobre
todos os produtos brasileiros, taxa que depois foi derrubada pela Suprema Corte
dos EUA. Após a decisão da Corte, em fevereiro, apenas a tarifa global de 10%
havia permanecido em vigor.
Segundo o USTR, o órgão realizou consultas com autoridades
brasileiras em abril, promoveu duas rodadas de audiências públicas e recebeu
mais de 360 manifestações escritas antes de concluir, em junho, que as práticas
do Brasil eram passíveis de ação sob a Seção 301. Entre os temas analisados
estão comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas
preferenciais, fiscalização anticorrupção, proteção à propriedade intelectual,
acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Em nota, Greer justificou a decisão afirmando que "a
ação de hoje é necessária para corrigir essas práticas comerciais desleais e
garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições
de igualdade". O USTR sinalizou, porém, que Washington segue aberto a
novas negociações com o governo brasileiro.
O impacto sobre a economia brasileira pode não parar por aí.
Uma investigação separada dos EUA sobre uso de trabalho forçado pode resultar
em uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, com decisão
prevista para a próxima semana. Caso confirmada, a soma das duas medidas
elevaria substancialmente o custo de acesso ao mercado americano para
exportadores brasileiros.
Na prática, exportadores brasileiros de setores não isentos,
como manufaturados, produtos siderúrgicos e outros bens industriais, passam a
enfrentar, a partir de 22 de julho, uma barreira tarifária significativamente
maior para vender aos EUA. Setores como o do agronegócio ligados a carne bovina
e suco de laranja, além da indústria aeronáutica e o setor de energia, ficam de
fora da nova tarifa, ao menos por enquanto.




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