Flávio Bolsonaro na Casa Branca: encontro com Trump pede classificação de facções como terroristas e propõe aliança hemisférica
O senador Flávio Bolsonaro esteve nesta terça-feira no Salão Oval da Casa Branca para um encontro com o presidente norte-americano Donald Trump. A reunião que durou quase duas horas, ganhou contornos políticos expressivos tanto pelo timing eleitoral quanto pelo conteúdo da pauta apresentada.
O senador também destacou o que classificou como um feito sem precedentes na história diplomática brasileira: nunca um chefe de Estado norte-americano havia recebido no Salão Oval um pré-candidato à presidência do Brasil durante um ano eleitoral.
Pedido central: facções na lista do terror
O ponto mais contundente da visita foi o apelo formal para que o PCC e o Comando Vermelho sejam enquadrados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras. Flávio argumentou que os dois grupos dominam territórios pela coerção, aplicam uma espécie de jurisdição paralela, corrompem funcionários públicos, infiltram instituições e operam em dezenas de países, com ramificações que impactam diretamente os norte-americanos.
Traçando um contraponto à visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca semanas antes, à qual se referiu como "lobby para traficante", o senador posicionou seu encontro como uma alternativa de agenda à do atual governo federal.
Escudo das Américas e minerais estratégicos
Flávio também apresentou a Trump a proposta de inserção do Brasil em um bloco hemisférico de segurança, ao qual chamou de "escudo das Américas", que já reúne, segundo ele, Argentina, El Salvador, Equador, Paraguai, Chile, Panamá e República Dominicana. A adesão brasileira, afirmou, estaria prevista para janeiro de 2027, caso vença as eleições.
Na pauta econômica, o senador destacou o potencial brasileiro em terras raras e minerais críticos, segunda maior reserva do mundo, e se apresentou como a única alternativa real à dependência do Ocidente em relação à China nesse setor. Prometeu ainda um acordo comercial amplo com os Estados Unidos que tornaria desnecessárias quaisquer tarifas de retaliação contra produtos brasileiros.
Agradecimentos e críticas ao Itamaraty
Ao encerrar sua declaração, Flávio creditou o encontro ao trabalho de longo prazo de seu irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, e do jornalista Paulo Figueiredo, que construíram ao longo dos anos uma rede de contatos nas esferas política e conservadora dos Estados Unidos.
O senador reservou as últimas palavras para uma crítica direta ao Ministério das Relações Exteriores e à embaixada brasileira em Washington, que, segundo ele, recusou formalmente ceder o espaço para a coletiva de imprensa. Classificou a atitude como "pequena e reveladora" do nível de partidarização da diplomacia brasileira sob o governo Lula, e prometeu reformular o Itamaraty a partir de 2027.




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