Seleção dos EUA estreia centro de treinamento de R$ 1,4 bilhão às vésperas da Copa do Mundo
Inaugurada em maio, a estrutura em Fayetteville, na Geórgia, representa uma virada histórica no futebol americano, de bolas compradas no Kmart a 19 campos de última geração
Quando o ex-atacante Jozy Altidore pisou pela primeira vez no
novo Centro Nacional de Treinamento da Federação Americana de Futebol (USSF),
em Fayetteville, na Geórgia, a memória foi inevitável. Na Copa de 2014, ele e
seus companheiros se recuperavam dos treinos em uma banheira de plástico
instalada num corredor cimentado do estádio da Universidade de Stanford, na
Califórnia. O contraste com o que ele viu na quinta-feira não poderia ser
maior.
"Isso é a culminação de tudo, não é?", disse o
atacante aposentado. "Tenho certeza de que jogadores do passado sonharam
em fazer parte de algo assim."
De campos alagados a 19 gramados
A virada não aconteceu da noite para o dia. Sunil Gulati, que
mais tarde se tornaria presidente da USSF, lembrou de ter comprado bolas num
Kmart na manhã de um jogo-treino em Colorado Springs, em 1985, antes de ver os
aspersores dispararem durante a partida. Décadas depois, a seleção foi passando
por instalações cada vez melhores, de Mission Viejo a Chula Vista, de Cary a
Princeton, até desembarcar, em anos recentes, nas estruturas de clubes da MLS,
sempre como visitante.
Agora, pela primeira vez, a seleção tem casa própria. O
complexo, inaugurado no dia 7 de maio, custou US$ 250 milhões, ocupa 200 acres
de um antigo pasto a cerca de 40 quilômetros de Atlanta e abriga todas as 27
seleções nacionais americanas. A obra foi viabilizada por uma doação inicial de
US$ 50 milhões do empresário Arthur Blank, dono do Atlanta Falcons e de um
clube da MLS.
A estrutura conta com 13 campos de grama natural em três
níveis, dois de grama sintética, dois de areia para futebol de praia e dois
cobertos. Há ainda 20 vestiários, 19 salas de reunião, uma academia de mil
metros quadrados e uma cozinha com área de refeições.
A USSF transferiu sua
sede de Chicago para o local, e os escritórios ficam no segundo andar, com
vista direta para os gramados principais.
"Pela primeira vez, é nossa casa"
O meia Tyler Adams, capitão americano na Copa do Mundo de
2022, resumiu o que a estrutura representa: "É bom ter prioridade em tudo
que você quer fazer aqui. Quando você treina na instalação de um clube da MLS,
você é um convidado."
O projeto foi inspirado em referências mundiais como o St.
George's Park, da Inglaterra, e o Clairefontaine, da França. As seleções de
base já utilizam o espaço, e os jogadores do grupo principal puderam observar o
treino da equipe feminina sub-16 durante a semana, numa convivência que Adams
valorizou: para os jovens atletas, estar perto da seleção principal é realizar
um sonho.
A Copa do Mundo de 2026 começa em junho, com os Estados
Unidos como um dos países sede. O novo centro chega em hora precisa, não apenas
como símbolo de evolução, mas como base de operações para o maior torneio do
planeta.




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