Texas aproveita crise entre prefeito de Nova York e bilionário para atrair empresas


Texas aproveita crise entre prefeito de Nova York e bilionário para atrair empresas

Conflito entre Mamdani e Ken Griffin, fundador da Citadel,
acende alerta sobre fuga de empregos e receita fiscal da maior cidade dos EUA

 

O governador do Texas, Greg Abbott, não deixou passar a
oportunidade. Enquanto Nova York mergulha em uma disputa política entre seu
prefeito socialista e um dos maiores gestores de fundos de Wall Street, o
Estado do Lone Star já estende o tapete vermelho para as empresas que
considerem deixar a cidade.

 

O porta-voz de Abbott, Andrew Mahaleris, declarou ao New York
Post que o governador tem orgulho de receber negócios e geradores de empregos
no Texas, destacando a ausência de imposto de renda estadual, a menor
burocracia e o ambiente favorável ao crescimento. "Políticas punitivas que
miram empreendedores bem-sucedidos só aceleram a tendência de empresas
escolherem o Texas", disse Mahaleris.

 

O estopim

 

Tudo começou em 15 de abril, quando o prefeito Zohran
Mamdani, um democrata socialista que assumiu o cargo em janeiro, publicou um
vídeo nas redes sociais gravado em frente ao edifício 220 Central Park South
para apresentar um novo imposto sobre propriedades de luxo, a chamada
"pied-à-terre tax". A medida prevê uma taxa anual sobre imóveis
avaliados em mais de US$ 5 milhões cujos proprietários não residam em tempo
integral na cidade. O vídeo citou explicitamente o cobertor de 23.000 pés
quadrados que Griffin comprou em 2019 por cerca de US$ 238 milhões, a venda
residencial mais cara da história dos Estados Unidos.

 

A reação do bilionário foi imediata. Griffin afirmou à CNBC
que mal acreditou no que estava vendo ao assistir ao vídeo, classificou a
iniciativa como discriminatória contra um grupo restrito de pessoas e anunciou
que a Citadel havia solicitado licença à prefeitura de Miami para expandir seu
novo escritório-sede naquela cidade.

 

Além do impacto econômico, Griffin levantou uma preocupação
de segurança. O bilionário disse que Mamdani o colocou em risco ao divulgar
publicamente onde ele mora, lembrando o assassinato do CEO da UnitedHealthcare,
Brian Thompson, ocorrido a poucos quarteirões de seu apartamento em Nova York.

 

Bilhões em jogo

 

O conflito vai muito além de uma troca de farpas nas redes
sociais. O diretor de operações da Citadel, Gerald Beeson, enviou um memorando
interno aos funcionários detalhando o que Nova York perderia caso o projeto de
expansão fosse cancelado: a reforma do edifício 350 Park Avenue geraria 6.000
empregos na construção civil e sustentaria mais de 15.000 postos permanentes no
centro de Manhattan, com um investimento total superior a US$ 6 bilhões.

 

Beeson também destacou que os sócios e os cerca de 2.500
funcionários da empresa pagaram quase US$ 2,3 bilhões em impostos municipais e
estaduais nos últimos cinco anos, além dos US$ 650 milhões doados pessoalmente
por Griffin a instituições como a Robin Hood Foundation e as escolas charter
Success Academy.

 

A Citadel não é caso isolado. A Apollo Global Management,
gestora com US$ 900 bilhões sob administração e que pagou aproximadamente US$
1,28 bilhão em impostos de renda no ano passado, estuda abrir um grande
escritório na Flórida ou no Texas, com cerca de mil funcionários.

O grupo pró-negócios Partnership for New York City estima que
a retórica de Mamdani já coloca em risco imediato 2.700 empregos no setor
financeiro e cerca de US$ 168 milhões em receita fiscal anual para o Estado e o
município.

 

O campo de batalha político

 

Mamdani recusou qualquer recuo. O porta-voz da prefeitura
respondeu afirmando que o prefeito quer que todos os nova-iorquinos prosperem,
incluindo Griffin, que é um grande empregador e figura relevante na economia da
cidade. Ao mesmo tempo, reiterou que o sistema tributário está
"fundamentalmente quebrado" e que os mais ricos precisam contribuir
com sua parte justa.

O ex-governador democrata David Paterson criticou a postura
de Mamdani e alertou que atacar bilionários apenas os incentiva a se proteger
mudando de Estado.

 

Um assessor da Casa Branca disse ao Post que o discurso
anticorporativo do prefeito pode ainda ser aproveitado pelos republicanos na
campanha presidencial de 2028.

 

































































O imbróglio expõe uma tensão estrutural: cidades que dependem
de grandes contribuintes para financiar serviços públicos enfrentam o dilema de
como taxar a riqueza sem espantá-la. Por ora, o Texas e a Flórida parecem
dispostos a colher os frutos dessa equação mal resolvida por Nova York.




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