Incêndios consomem Geórgia e Flórida em meio à pior seca em décadas
Mais de 120 residências foram destruídas, um bombeiro morreu e cerca de mil imóveis seguem ameaçados no sudeste dos Estados Unidos.
Uma combinação devastadora de seca extrema, ventos fortes e
altas temperaturas transformou o sudeste dos Estados Unidos em um campo de
batalha contra o fogo. Enquanto mais de 120 casas foram destruídas no sudeste
da Geórgia, um bombeiro voluntário perdeu a vida combatendo um incêndio na
Flórida, uma tragédia que expõe a dimensão da crise que assola a região nesta
primavera.
As chamas na Geórgia foram intensificadas por uma combinação
de seca prolongada, ventos impetuosos, mudanças climáticas e árvores mortas que
ainda cobrem algumas florestas, derrubadas pelo Furacão Helene quase dois anos
atrás.
Os condados de Brantley e Clinch, no sul do estado, estão no
epicentro da devastação. Um dos incêndios, no condado de Brantley, havia
danificado mais de 80 residências, e autoridades alertaram que cerca de 1.000
outros imóveis estavam em risco. Outro foco, próximo à fronteira entre Georgia
e Flórida, consumiu mais de 30.000 acres e estava apenas 10% contido.
A fumaça viajou centenas de quilômetros. Os alertas de
qualidade do ar chegaram até Atlanta, no centro-norte do estado.
Por que uma região úmida está em chamas?
Grande parte do Sudeste americano enfrenta seca desde julho
de 2025. Entre meados de março e meados de abril de 2026, a região recebeu
menos de um quarto do volume de chuvas típico para o período. O Monitor de Seca
dos EUA classificou a situação entre "extrema" e
"excepcional" — os dois piores níveis da escala.
Um sistema persistente de alta pressão bloqueou a formação de
nuvens e impediu precipitações, enquanto ventos do sudeste transportaram ar
quente e seco para a região. O resultado: árvores, gramas e folhagens se
tornaram combustível fácil para qualquer faísca.
Suspeita-se que um dos grandes incêndios tenha sido
deflagrado por um balão metálico de festa.
O que está sendo feito? E o que falta?
O governador da Geórgia, Brian Kemp, declarou estado de
emergência cobrindo mais da metade do estado, enquanto as ordens de evacuação
continuam se expandindo. Equipes com escavadeiras trabalham para criar aceiros,
e bombeiros de dezenas de agências municipais concentram esforços na proteção
das casas ainda de pé, molhando telhados, jardins e estruturas com mangueiras e
aspersores.
Para extinguir completamente as chamas, segundo
especialistas, são necessárias vários centímetros de chuva e provavelmente mais
de uma rodada de precipitações intensas. Há previsão de temporais para o fim de
abril e início de maio, mas relâmpagos poderiam acender novos focos.
Com o avanço das mudanças climáticas, a frequência de secas
no Sudeste deve aumentar, tornando episódios como este cada vez mais prováveis
nos próximos anos.
Fontes: AP, The Invading Sea / Georgia Institute of
Technology, US News




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