Concerto de Páscoa transforma teatro Municipal de Cotia em experiência de emoção e descoberta
O Teatro Municipal de Cotia foi tomado por silêncio atento, olhos marejados e aplausos demorados no último sábado (11), durante o Concerto de Páscoa. O espetáculo de música de câmara, apresentado pelo Grupo Música Rara e pelo Quarteto Calêndula, integrou as comemorações pelos 170 anos de Cotia e ofereceu ao público mais do que uma apresentação: uma experiência sensível, rara e necessária.
Mais de 250 pessoas passaram pelo teatro e, além de ocuparem as cadeiras, contribuíram com a doação voluntária de alimentos não perecíveis, destinados ao Fundo de Assistência Social. O gesto solidário acompanhou o tom da noite, marcada pelo encontro entre arte e acolhimento. Idosos do grupo Rejuvenescer e crianças atendidas por serviços municipais de acolhimento também estiveram presentes — muitos deles vivendo, ali, o primeiro contato com a música clássica ao vivo.
Entre os presentes além do Secretário de Cultura Pedro Peixoto, estava também o vice-prefeito Paulinho Lenha entre outras autoridades.
O programa trouxe à cidade obras de três nomes centrais do barroco europeu: Jan Dismas Zelenka, Antonio Lucio Vivaldi e Georg Philipp Telemann. A força coral do Dixit Dominus, de Zelenka, abriu espaço para a leveza vibrante do Concerto em Dó maior, RV 176, de Vivaldi — com solo de Paulo Henes — e para a espiritualidade profunda da cantata Ich weiß, dass mein Erlöser lebt, de Telemann.
Entre uma peça e outra, os maestros Paulo Henes e Andre Cortese conduziram o público não só musicalmente, mas também com explicações acessíveis e envolventes sobre as obras. O didatismo, longe de quebrar o encanto, ampliou a escuta — como se cada nota ganhasse também um significado.
O resultado foi uma plateia mais próxima da música, menos distante daquele universo que, por tanto tempo, pareceu restrito. Uma noite que reforça o papel de espaços culturais como o Teatro Municipal: não apenas apresentar, mas incluir, formar e emocionar.
“Maravilhoso ver a emoção das pessoas que nunca tiveram a oportunidade de assistir a um concerto de música clássica ao vivo. Alma lavada”, resumiu o secretário de Cultura, Pedro Peixoto.




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