Caminhada contra o feminicídio mobiliza a Avenida Paulista neste domingo
Divulgação A Avenida Paulista, em São Paulo, será palco neste domingo
(8), Dia Internacional da Mulher, da Caminhada contra o Feminicídio, organizada
pela deputada federal e presidente nacional do Renata Abreu, em parceria com a
vereadora paulistana Ana Carolina (Podemos-SP). O ato acontece a partir das
10h, com concentração na altura do número 1776, próximo ao Méqui 1000, e
pretende reunir mulheres, famílias e lideranças sociais para chamar a atenção
para a escalada da violência contra mulheres no Brasil.
A mobilização ocorre em um momento de forte indignação
nacional. Casos recentes de mulheres assassinadas por companheiros ou
ex-companheiros voltaram a provocar revolta pública e reacender o debate sobre
a segurança feminina. Os números ajudam a dimensionar o problema. Em 2025, o
Brasil registrou 1.518 vítimas de feminicídio, o maior da série histórica, o
que significa quatro mulheres assassinadas por dia apenas por serem mulheres. No
estado de São Paulo, a situação também preocupa. O ano de 2025 terminou com
recorde de feminicídios, 270 casos registrados.
Para Renata Abreu, a caminhada busca transformar a
indignação que toma conta da sociedade em mobilização concreta. “Cada feminicídio é uma vida interrompida, uma família
destruída e uma ferida aberta na sociedade. Não podemos aceitar que mulheres
continuem morrendo simplesmente por serem mulheres.”
Muito além dos crimes que chegam ao noticiário, a violência
contra mulheres permanece uma triste e sofrida realidade cotidiana no país. Levantamento da Pesquisa Nacional de Violência contra a
Mulher, do DataSenado, revela que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum
tipo de violência doméstica ou familiar apenas em 2025.
A pesquisa também mostra o impacto desse ciclo de violência
dentro das famílias. Em 71% dos casos de agressão havia outras pessoas
presentes, muitas vezes crianças — filhos das próprias vítimas. Outro dado preocupante é que a violência costuma se repetir.
Quase seis em cada dez mulheres relatam episódios recentes de agressão,
indicando um ciclo que muitas vezes se prolonga por meses ou anos.
Apesar da gravidade, muitas vítimas ainda não procuram
ajuda. Entre os motivos mais citados estão o medo do agressor, a dependência
emocional ou financeira e a preocupação com os filhos. O Brasil possui hoje uma das legislações mais avançadas do
mundo no combate à violência contra mulheres, com instrumentos como a Lei Maria
da Penha e a tipificação do feminicídio no Código Penal.
Ao longo de sua atuação parlamentar, Renata Abreu é autora
de leis voltadas ao enfrentamento da violência de gênero. Entre elas estão:
- Lei
13.718/2018, que tipificou a importunação sexual como crime - Lei
13.931/2019, que obriga profissionais de saúde a comunicar à polícia
indícios de violência doméstica - Lei
14.316/2022, que destina recursos do Fundo Nacional de Segurança
Pública para ações de combate à violência contra a mulher
Um avanço recente na legislação brasileira foi a criação da Lei
15.125/2025, que permite à Justiça determinar o monitoramento eletrônico
de agressores por meio de tornozeleiras eletrônicas em casos de violência
doméstica. A medida foi criada para garantir o cumprimento das medidas
protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
Com o dispositivo, a polícia e a própria vítima podem ser
alertadas caso o agressor ultrapasse a distância determinada pela Justiça,
permitindo uma resposta mais rápida das autoridades. Para Renata Abreu, esse tipo de mecanismo é essencial para
mudar a lógica da proteção.
“Hoje muitas mulheres recebem uma medida protetiva,
mas continuam correndo risco, sendo obrigadas a mudar sua rotina de vida. Quem
precisa mudar de rotina é o criminoso, por isso a urgência de que seja colocada
a tornozeleira eletrônica nos agressores, para que sejam denunciados assim que
romperem os limites impostos pela Justiça.” Segundo a deputada, o país precisa garantir que as leis
existentes sejam aplicadas com rigor. “O Brasil já avançou muito na legislação.
Agora precisamos garantir que essas leis funcionem na prática e que nenhuma
mulher fique desprotegida depois de denunciar.”
MOBILIZAÇÃO CONTRA O SILÊNCIO
A caminhada deste domingo pretende lembrar que a violência
contra a mulher não é um problema privado, mas uma questão de segurança pública
e de direitos humanos. Para a deputada federal, a mobilização da sociedade é
fundamental para romper o silêncio que ainda cerca muitos casos de violência. “A
violência contra a mulher não pode ser tratada como algo normal ou inevitável.
Precisamos falar sobre isso, agir e proteger vidas.”
SERVIÇO
Caminhada contra o Feminicídio
10h
Avenida Paulista, 1776 – próximo ao Méqui 1000




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