Meninas abandonam prova de corrida em escola de Washington em protesto contra atleta trans
Cerca de 12 estudantes do time feminino de cross-country
deixaram a pista após a escola permitir que um atleta trans passasse da equipe
masculina para a feminina no meio da temporada. Pais criticaram a decisão, e o
distrito diz que segue a lei estadual.
Cerca de uma dúzia de estudantes do ensino médio
posicionaram-se na linha de largada de uma prova de cross-country, no estado de
Washington, e deixaram o percurso em protesto. O episódio ocorreu na
terça-feira (13), durante uma disputa entre as escolas Camas High School e
Battle Ground. O gesto foi uma reação à decisão de permitir que um atleta
transgênero migrasse, no meio da temporada, do time masculino para a equipe
feminina principal (varsity).
O atleta terminou em 76º lugar numa prova masculina de nível
júnior (junior varsity) no Oregon, em 5 de setembro. Dez dias depois, já
competia na categoria feminina.
O caso voltou a ganhar espaço nesta quarta-feira (14), quando
os pais Kevin e Sarah Burns, cuja filha Holly participou do protesto, foram
entrevistados no programa The Ingraham Angle, da Fox News. Eles afirmam
que várias capitãs do time haviam deixado a equipe antes da prova e que, por
isso, o número de meninas insatisfeitas era maior do que o visto nas imagens.
Segundo os relatos, quando as famílias questionaram a
elegibilidade do atleta, o distrito escolar respondeu que a lei de Washington e
os regulamentos do esporte colegial exigem que os estudantes possam competir na
categoria correspondente à sua identidade de gênero. Em carta aos pais, a
escola citou a legislação estadual que proíbe discriminação com base em
identidade e expressão de gênero.
Kevin Burns criticou a resposta. "Acho que é aceitável
discriminar o gênero real", disse, em referência à carta.
O clima também esquentou fora da pista. Os pais afirmam que
seguranças tentaram retirá-los quando chegaram com cartazes de apoio às
corredoras. Eles dizem que ficaram no local mesmo assim. Kevin acredita haver
uma "maioria silenciosa" que concorda com o protesto, mas evita falar
por medo. Em outro episódio, em 5 de setembro, outro pai, Joel Retzlaff, foi
proibido de frequentar o terreno da escola após protestar contra a participação
do mesmo atleta.
Sarah Burns lamentou que adolescentes de 16 e 17 anos tenham
de lidar com o assunto. Para ela, as meninas deveriam poder apenas correr e se
divertir, sem enfrentar o que chamou de "questão de adultos".
A participação de atletas trans no esporte escolar é um dos
temas mais polarizados dos Estados Unidos. As regras variam bastante de estado
para estado. Alguns restringem a participação de atletas trans em equipes
femininas, enquanto outros, como Washington, adotam o critério da identidade de
gênero.
Defensores das restrições citam justiça competitiva e
segurança. Já os defensores da inclusão argumentam que estudantes trans têm
direito de participar do esporte e de não sofrer discriminação.
Para quem tem filhos em escolas americanas, o caso mostra que
as regras do esporte escolar dependem do estado e do distrito, e podem mudar de
um lugar para outro. Quem quer entender como funciona na sua região pode
consultar o regulamento da associação atlética estadual e a política do
distrito escolar, geralmente disponíveis nos sites oficiais.




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