Acordo de paz encerra conflito entre EUA e Irã após 15 semanas; Estreito de Ormuz volta a operar
Estados Unidos e Irã chegaram formalmente a um acordo de paz
neste domingo, com a determinação de que todas as operações militares entre os
dois países cessem de imediato.
O presidente Donald Trump confirmou o entendimento em uma
publicação nas redes sociais, na qual também anunciou a reabertura do Estreito
de Ormuz e o fim do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos.
Como o conflito começou
O confronto teve início em 28 de fevereiro, quando as forças
norte-americanas desencadearam a Operação Epic Fury, uma série de ataques
aéreos contra instalações nucleares do Irã que também resultou na morte do
líder supremo Ali Khamenei e de outros membros da cúpula do regime.
Em resposta, Teerã lançou foguetes e drones contra Israel, parceiro
dos EUA nos ataques, e também contra Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar, Arábia
Saudita e Emirados Árabes Unidos. O conflito rapidamente se alastrou por toda a
região, colocando o Oriente Médio em estado de alerta máximo.
O caminho até o cessar-fogo
Após mais de um mês de combates, durante os quais o Irã
fechou o Estreito de Ormuz e os EUA impuseram um bloqueio aos portos iranianos,
um cessar-fogo foi declarado em 8 de abril. A trégua, no entanto, não pôs fim
total às hostilidades: ataques e contra-ataques pontuais continuaram a ocorrer
no período seguinte.
Na semana passada, a situação voltou a se agravar quando o
Irã disparou mísseis contra Israel em retaliação a bombardeios nos subúrbios de
Beirute. Nos dias que se seguiram, EUA e Israel responderam com novos ataques
aéreos, enquanto o Irã continuou a acertar alvos israelenses e de aliados
americanos na região.
Os termos anunciados
O primeiro-ministro paquistanês Shebaz Sharif, cujo país
atuou como mediador em grande parte das negociações, explicou que todas as
operações militares entre Washington e Teerã serão paralisadas de forma
imediata e em todas as frentes, incluindo o Líbano.
Trump havia adiantado no sábado que o acordo estava fechado e
destacou dois compromissos centrais: o Irã renunciaria definitivamente à posse
de armas nucleares, interrompendo seu próprio programa e comprometendo-se a não
obtê-las por outros meios; e o Estreito de Ormuz, cuja paralisação havia
disparado os preços do combustível e criado um gargalo energético global, seria
reaberto imediatamente.
Em sua publicação, Trump celebrou: "O acordo com a
República Islâmica do Irã está concluído. Autorizo a abertura imediata e sem
pedágio do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval dos Estados Unidos.
Navios do mundo, liguem os motores. Que o petróleo flua!"
O que ainda está em aberto
Apesar do otimismo, pontos sensíveis permanecem sem
resolução. O destino exato do programa nuclear iraniano ainda não foi definido.
Relatórios indicam que o acordo deve prever um prazo de 60 dias para que EUA e
Irã acertem os detalhes técnicos relativos à remoção do urânio enriquecido.
Também permanecem em aberto os efeitos do acordo sobre os
conflitos entre Israel e grupos apoiados por Teerã. Sharif confirmou que o
Líbano está incluído no compromisso de cessar as operações militares, e o Irã
havia exigido que qualquer tratado contemplasse também o fim dos combates entre
as forças israelenses e o Hezbollah naquele país.
Há ainda preocupações logísticas imediatas: minas que possam
ter sido lançadas no estreito precisarão ser localizadas e removidas antes que
o tráfego marítimo retome com plena segurança.
Próximos passos
Segundo Sharif, os mediadores começarão ainda esta semana a
preparar uma nova rodada de reuniões para estabelecer as bases técnicas do
acordo. A cerimônia oficial de assinatura está marcada para sexta-feira e será
realizada na Suíça.
O encerramento do conflito representa um alívio geopolítico
significativo para os mercados globais de energia e para a estabilidade do
Oriente Médio, mas a consolidação da paz dependerá, nas próximas semanas, da
capacidade das duas nações de transformar um anúncio histórico em compromissos
concretos e verificáveis.




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