Trump: “Eles concordaram. O Irã nunca terá uma arma nuclear”
Os Estados Unidos encaminharam ao Irã um plano composto por
15 pontos e uma proposta de cessar-fogo com o objetivo de encerrar o atual
conflito no Oriente Médio.
Segundo o presidente Donald Trump, Teerã já teria aceitado
uma das principais exigências de Washington: abrir mão definitivamente de
qualquer ambição de desenvolver armas nucleares.
“Eles concordaram. O Irã nunca terá uma arma nuclear”,
afirmou Trump ao comentar as negociações. De acordo com informações divulgadas
pela imprensa norte-americana, a proposta foi transmitida às autoridades
iranianas por meio do Paquistão, que atua como intermediário diplomático.
Relatos da mídia israelense indicam que o enviado especial da
Casa Branca, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do presidente, trabalham
para que o Irã aceite um cessar-fogo com duração de um mês. Durante esse
período, os termos do acordo — baseados em um plano semelhante apresentado no
ano anterior — seriam discutidos de forma detalhada.
Ainda segundo essas informações, o documento prevê uma série
de exigências rigorosas. Entre elas estão o desmantelamento completo das
capacidades nucleares iranianas, a interrupção total do enriquecimento de
urânio em território nacional e a entrega de todo o estoque de urânio
enriquecido à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
As instalações nucleares de Natanz, Isfahan e Fordo também
deveriam ser desativadas, com acesso irrestrito de inspetores internacionais.
O plano inclui ainda pontos de natureza estratégica e
regional. O Irã teria de abandonar o apoio financeiro e militar a grupos
aliados no Oriente Médio, manter o Estreito de Ormuz aberto à navegação
internacional e limitar seu programa de mísseis, tanto em alcance quanto em
quantidade, restringindo o uso desses armamentos à autodefesa.
Em troca, Teerã poderia se beneficiar do levantamento das
sanções internacionais e receber apoio dos Estados Unidos para o
desenvolvimento de um programa nuclear exclusivamente civil. O acordo também
prevê o fim do mecanismo de “restabelecimento automático” de sanções, que
permitiria punições imediatas em caso de descumprimento.
Israel, embora não participe diretamente das negociações, foi
informado previamente pela administração norte-americana. Autoridades
israelenses confirmaram que foram avisadas antes do início das conversas
voltadas à redução das hostilidades.
Apesar das declarações otimistas de Trump, o governo iraniano
nega oficialmente que esteja negociando com os Estados Unidos ou que tenha
aceitado qualquer uma das exigências apresentadas. Ainda assim, o presidente
americano afirmou que os contatos continuam e descreveu o tom das conversas
como “sensato”.
Enquanto a via diplomática é explorada, a Casa Branca
sinaliza que as operações militares dos EUA permanecem em andamento até que
seus objetivos estratégicos sejam atingidos. Paralelamente, o Paquistão, com
apoio de países como Egito e Turquia, se colocou à disposição para sediar
eventuais negociações formais, reforçando o esforço internacional para uma
solução abrangente do conflito.
Thiago Guerreiro – Conectv Atlanta




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