Trump desafia Europa com imagens de IA e mensagens vazadas antes do Fórum de Davos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a
agitar o cenário internacional ao publicar imagens geradas por inteligência
artificial que o mostram cravando a bandeira americana na Groenlândia,
território autônomo da Dinamarca.
A ação, feita em sua rede Truth Social, foi acompanhada de
mensagens privadas de líderes mundiais, divulgadas pelo próprio presidente, em
tom de elogio e apoio às recentes iniciativas de sua política externa.
Na imagem principal, Trump aparece acompanhado do
vice-presidente JD Vance e do secretário de Estado Marco Rubio, todos
participando de uma encenação simbólica de anexação da Groenlândia, com uma
placa que declara a ilha como “território dos EUA estabelecido em 2026”.
Essas publicações surgem em meio à intensificação dos
esforços de Trump para incorporar a Groenlândia ao território americano. O
presidente afirmou que não há possibilidade de recuo em seu objetivo e não
descartou, inclusive, o uso da força para conquistar a ilha ártica.
Além das imagens, Trump compartilhou capturas de tela de
conversas com líderes como Macron e Rutte, nas quais recebe elogios por suas
ações na Síria e em outros cenários internacionais. Em uma das mensagens, Rutte
afirma: “Senhor Presidente, caro Donald — o que o senhor realizou na Síria hoje
é incrível. Usarei minhas oportunidades na mídia em Davos para destacar seu
trabalho aí, em Gaza e na Ucrânia.
Estou empenhado em encontrar uma solução para a Groenlândia.
Mal posso esperar para vê-lo. Atenciosamente, Mark”.
A repercussão nas redes sociais foi imediata, com uma onda de
comentários irônicos e críticos. O clima ficou ainda mais tenso após Trump
anunciar a imposição de tarifas de 10% sobre produtos de oito países europeus
que recentemente enviaram tropas para a Groenlândia, com a ameaça de elevar as
taxas para 25% caso não obtenha o controle da ilha até junho.
A resposta europeia veio em tom de firmeza e diplomacia. A
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou durante o Fórum
Econômico Mundial que os Estados Unidos são vistos como aliados e amigos, mas
advertiu que a União Europeia responderá de forma “firme, unida e proporcional”
às tarifas.
Bruxelas já avalia medidas retaliatórias que podem chegar a
93 bilhões de euros, incluindo restrições comerciais originalmente pensadas
para conter a China.
Trump justifica sua investida sobre a Groenlândia alegando
que o controle americano da ilha é vital para a segurança nacional,
especialmente diante da presença russa no Ártico e do interesse em concluir o
sistema de defesa nuclear espacial conhecido como Domo Dourado.
Em paralelo, ameaçou a França com uma tarifa de 200% sobre
vinhos e champanhes caso Macron não aceite integrar seu “Conselho da Paz” para
a reconstrução de Gaza.
A disputa pela Groenlândia promete ser o principal tema do
Fórum Econômico Mundial em Davos, onde Trump deve anunciar a ampliação das
funções do seu “Conselho da Paz”, iniciativa que, segundo críticos, busca criar
um órgão paralelo ao Conselho de Segurança da ONU.
Thiago Guerreiro – Conectv Atlanta




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